Apartamento Varda

Localização: Asa Sul, Brasília – DF
Área: 131m²
Projeto: Esquadra Arquitetos
Projeto: 2024
Obra: 2025
Autora: Manuela Dantas
Co-autor: Filipe Monte Serrat
Colaboradores: Isadora Soares e Soledad Hurtado
Estagiário: Rafael Oliveira
Fotos: Joana França
O nome veio dos próprios clientes, um casal com atuação no audiovisual que escolheu homenagear Agnès Varda: cineasta, fotógrafa e artista visual belga radicada na França, referência do cinema feminista que misturou documentário e ficção para dar visibilidade a pessoas comuns e explorar questões sociais.
A partir dessa escolha, o projeto, desenvolvido em um apartamento de 131 m², na 105 Sul, passou a contar as histórias do casal franco-brasileiro em espaços preenchidos pela sétima arte.
Na cozinha, o forro resultante de uma reforma anterior foi retirado para ampliar o pé-direito, expondo as vigas e a laje existentes e revelando a estrutura original do espaço. Os armários foram desenhados descolados da laje para evitar recortes decorrentes das diferentes alturas entre vigas e laje.
Abaixo da viga de pé-direito baixíssimo, foi proposto um grande aparador-bar-divisória, sustentado por uma estrutura metálica desenvolvida pelo escritório: apoiada na parede existente, ela segue em balanço em direção à entrada da cozinha.
O edifício, um dos primeiros a serem construídos na cidade, em 1961, foi projetado pelo arquiteto Hélio Uchôa e tem o cobogó de cerâmica vermelha como grande protagonista das fachadas posteriores. Apesar de se destacar no exterior, internamente o elemento era encoberto por paredes ou por ambientes de serviço, sem ocupar os interiores com a relevância que merece.
A partir daí, trouxemos o cobogó para os ambientes sociais e íntimos voltados a essa fachada. Para isso, diversas paredes foram removidas e os ambientes, reorganizados. Na área social, sala e cozinha foram integradas, e a área de serviço foi realocada para liberar o visual para o cobogó cerâmico a partir dos espaços de convivência.
O pequeno recuo existente na sala foi separado do restante da área por painéis pivotantes de muxarabi, para acomodar o escritório. Essa divisão deveria ser parcial e simbólica, apenas para delimitar usos, por isso os painéis foram desenhados vazados. A permeabilidade do elemento permite visualizar a dimensão original do ambiente mesmo com as portas fechadas, condição desejada pelos clientes.
Um grande aparador em concreto, com gavetas e nichos em marcenaria branca, conecta os dois ambientes e foi a solução encontrada para acomodar os vinis, livros e a coleção de filmes dos moradores.
A suíte resulta da junção de dois quartos menores que, integrados, deram lugar ao dormitório e ao closet. As paredes da fachada foram removidas, revelando o cobogó cerâmico que se escondia atrás delas. Janelas acústicas encaixilhadas foram instaladas para garantir o isolamento do quarto quando necessário, sem comprometer a luminosidade.
Os banheiros foram revestidos com quartzito e ladrilhos hidráulicos personalizados com grafismos que remetem aos desenhos do urbanismo brasiliense.




















