Casa Belvedere


Localização: Park Way – Brasília, DF

Projeto: 2023

Autor: Filipe Monte Serrat 

Co-autor: Manuela Dantas 

Colaboradores: Guido Saboya, Carmem Jimenez, Natália Valladão, Teresa Ferreira e Soledad Hurtado (interiores)

Estagiários: Luna Catrina

Obra: Grid Engenharia

Fotos: Joana França

A Casa Belvedere, nome escolhido pelo proprietário, um italiano que cresceu em uma região montanhosa de seu país de origem, nasce da relação entre memória, território e paisagem. Em italiano, belvedere significa “bela vista” ou “mirante”, conceito que orienta a implantação da residência em um terreno de grande declive, aberto para uma área de preservação permanente e para a amplitude do horizonte de Brasília.

Inserida em um bairro residencial nos arredores da capital, a casa ocupa um lote de geometria irregular e com mais de 25 metros de desnível em direção ao parque. A presença do cerrado e a visão desimpedida do horizonte estabelecem um diálogo com a própria origem de Brasília, escolhida a partir de um ponto elevado capaz de revelar a vastidão da paisagem do cerrado brasileiro.

A topografia acentuada e a configuração do terreno conduziram as decisões do projeto. Como resposta, a organização tradicional dos pavimentos foi invertida: o nível da rua recebe o acesso, a garagem e o escritório; o pavimento intermediário concentra os espaços sociais e de lazer; e o nível inferior abriga as áreas íntimas, em maior proximidade com o solo e com a natureza.

O percurso interno é pensado como uma sequência de enquadramentos e descobertas. A cada mudança de nível, novas relações visuais surgem, ora voltadas para o verde, ora para o céu de Brasília, fazendo da paisagem um elemento ativo na experiência cotidiana da casa. A fachada principal, orientada para o sul e voltada para a área de preservação, reforça a integração com o entorno e contribui para melhores condições de conforto ambiental.

A piscina ocupa o vazio triangular criado entre o terreno natural e a circulação dos dormitórios, ajustando-se à declividade existente e estabelecendo uma transição entre arquitetura e paisagem. O terraço-mirante amplia essa experiência, funcionando como extensão dos ambientes sociais. Estar e cozinha se integram às áreas externas, formando uma ampla varanda de contemplação e convivência.

No pavimento de acesso, o escritório transforma o trabalho em uma experiência imersa na paisagem. No nível inferior, os dormitórios se abrem para uma generosa varanda voltada para o horizonte, reforçando a sensação de continuidade entre interior e exterior.

A Casa Belvedere tem a topografia como princípio estruturador: o declive, as visadas e a natureza não são obstáculos a serem vencidos, mas elementos que definem a arquitetura e a maneira de habitar.