Apartamento Cumaru


Localização: Asa Sul, Brasília – DF

Área:  138,30m²

Projeto: Esquadra Arquitetos

Projeto: 2024

Obra: 2025

Autora: Manuela Dantas

Co-autor: Filipe Monte Serrat

Colaboradores: Isadora Soares, Silvana Moraes e Soledad Hurtado

Estagiário:

Fotos:  Joana França

O escritório foi contratado para desenvolver o projeto de arquitetura de interiores, decoração e administração de obras para o apartamento localizado no edifício Alma, no bairro Noroeste, em Brasília, DF.

A planta original já apresentava uma organização clara e funcional, com ambientes bem dimensionados. Por isso, uma das premissas do projeto foi preservar a configuração existente, evitando intervenções desnecessárias e concentrando os esforços na qualificação dos espaços. A atuação do escritório voltou-se à definição dos usos, dos layouts internos, dos materiais de revestimento e acabamento, dos detalhamentos de marcenaria e marmoraria, do projeto luminotécnico e de toda a infraestrutura necessária para atender à rotina da família.

A cozinha sintetiza uma das principais demandas do projeto. Por um lado, a rotina da família exigia um ambiente independente para o preparo diário das refeições. Por outro, o hábito de receber familiares e amigos fazia desse espaço um ambiente de convivência que deveria permanecer conectado às áreas sociais. A solução foi a criação de duas grandes portas em madeira cumaru, que permitem diferentes configurações de uso. Quando abertas, integram cozinha, jantar e estar em um único ambiente; quando fechadas, restabelecem a privacidade e o isolamento necessários ao funcionamento cotidiano da casa.

Essa flexibilidade também orienta a organização dos espaços sociais. O hall estabelece a transição entre a entrada do apartamento e os ambientes de convivência, enquanto a sala foi concebida para funcionar de maneira integrada à cozinha, ampliando a área social e permitindo que diferentes atividades aconteçam simultaneamente, distribuídas entre o estar, o jantar e a ilha.

A escolha dos materiais foi orientada por dois objetivos: construir uma atmosfera sóbria e acolhedora e estabelecer um diálogo com a arquitetura original do edifício. Em vez de competir com os elementos existentes, o projeto procurou valorizá-los. O concreto aparente das jardineiras, os brises dos dormitórios e as esquadrias em alumínio cinza-chumbo passaram a integrar a nova linguagem material do apartamento.

Priorizamos materiais naturais em todas as especificações. O granito Cinza Prata unifica os pisos das áreas sociais e molhadas; o mármore dolomítico Monet foi escolhido para as bancadas da cozinha; o compensado de cumaru reveste paredes, forros e integra a marcenaria customizada; e o assoalho maciço de Tauari confere conforto aos dormitórios.

Na área íntima, a continuidade dessa linguagem material contribui para construir uma atmosfera acolhedora. Nos quartos, os painéis de compensado de cumaru revestem algumas paredes, enquanto o assoalho maciço de Tauari confere conforto ao piso. O apartamento conta ainda com uma sala íntima de proporção generosa, na qual paredes e forro são revestidos por painéis de compensado de cumaru, formando uma caixa contínua que delimita o ambiente e reforça seu caráter mais reservado.

Nos banheiros das suítes, o granito foi utilizado como revestimento do piso, das bancadas e das paredes da área do box. As demais superfícies receberam pintura branca, valorizando a presença da pedra natural. No lavabo, a solução é diferente: as paredes foram revestidas com painéis de compensado de cumaru, em continuidade ao hall de entrada, estabelecendo uma transição natural entre os dois ambientes e reforçando a unidade da linguagem material adotada em todo o apartamento.